
PIERRE FATUMBI
VERGER
Aos 17 anos Pierre Verger parou de freqüentar a escola. Aos 30, após a morte de
sua mãe, deixou Paris e os valores burgueses do ambiente onde cresceu. Iniciou suas
viagens pelo Taiti, inspirando-se no pintor Paul Guaguin. Em 1946, tendo já viajado por
todos os continentes, desembarcou em Salvador. Aqui encontrou uma cidade pequena e muito
bonita, repleta de descendentes de africanos. Foi seduzido e resolveu ficar.
Desde o início das suas viagens ele fotografava. As suas escolhas de imagens demonstram
um interesse particular por pessoas e expressões culturais e um talento especial para
selecionar e registrar instantes eloqüentes. Trabalhando, dançando, dormindo ou apenas
posando, seus modelos são sempre naturais e expressivos.
Verger aprofundou seu pendor para a antropologia delimitando como temas a cultura negra,
relações entre a África e a Bahia e o candomblé. Por suas pesquisas nessas áreas
recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Sorbonne. E mais, tornou-se Babalaô, uma
autoridade no candomblé.
Estas imagens são exemplos do seu trabalho como repórter fotográfico no Brasil, EUA,
África e Taiti, ainda na primeira metade do século. Por suas fotos, muitos o consideram
um dos precursores da antropologia visual. Ou seja, através do seu modo particular de
fotografar pessoas e situações comuns, Verger seria capaz de reconstituir, em certa
medida, o espírito de um lugar e de uma época. Nós, baianos, temos bastante material
para averiguar isso no seu livro "Retratos da Bahia". E a comprovação ocorre
quando reconhecemos a nós mesmos naquelas fotos.

Pierre Edouard Léopold Verger nasceu em Paris, dia 4
de novembro de 1902, filho de uma abastada família de origem belga e alemã. Sua vida
transcorre sem imprevistos e grandes emoções até a morte da mãe em 1932. Ruma então
para a Córsega, onde viaja 1.500 KM a pé em companhia do fotógrafo Pierre Boucher, que
o ensina a fotografar. Parte no mesmo ano para o Taiti em busca de uma vida nova. Em 1934
funda, com Pierre Boucher e outros, a agência de fotógrafos independentes Alliance
Photo. Empreende viagens pela Europa, Caribe, América Latina, Ásia e África. É
convocado às vésperas da Segunda Guerra para servir no Senegal. Dispensado após o
armistício franco-alemão, segue em 1941 para América do Sul (Brasil e Argentina),
fixando residência em Lima (Peru). Em abril de 1946 viaja para o Brasil. Chega a Salvador
em agosto do mesmo ano, onde se estabelece e dá início ao seu longo mergulho na cultura
afro-brasileira. Viaja pelo Nordeste brasileiro, Suriname e Haiti. Em outubro de 1948 é
consagrado a Xangô, Deus do trovão, no terreiro de Dona Senhora (Salvador). Segue em
novembro do mesmo ano para Dakar (Senegal), lá iniciando suas extensas pesquisas sobre os
cultos africanos na África e no Novo Mundo. Em Benin é iniciado no culto de Xangô e
recebe em 1952 o nome de Fátúmbí, "filho do trovão". Em 1966 defende na
Sorbonne sua tese sobre o tráfico de escravos entre o Golfo de Guiné e a Bahia de Todos
os Santos. Realiza nos anos seguintes viagens pela Nigéria, Benin, Caribe e Brasil.
Falece em Salvador no dia 11 de fevereiro de 1996. Além de inúmeras publicações
científicas, livros de fotografia e filmes documentários, Pierre Fátúmbí Verger
produziu, ao longo de sua vida, cerca de 65 mil negativos de fotos, que se encontram hoje
reunidos na Fundação que leva seu nome em Salvador.

Pierre Verger
- autoretrato com sua Rollei
Fotógrafo, etnólogo, antropólogo, autor de mais de 40 livros, Verger nasceu em Paris em
1902 de uma família burguesa de origem belgo-alemã. Seus pais eram donos de uma grande
gráfica na capital francesa.
Começou a fotografar em 1932. Aos 30 anos, colocou o pé na estrada, e até 1946, viajou
pela Europa, esteve na China, nas ilhas da Polinésia, no Japão, na África e no México.
Na América Latina, esteve no Brasil em 41, seguindo para a Argentina. Entre 42 e 46,
fixou residência em Lima, no Peru.
Em 46, voltou ao Brasil e foi contratado pela revista "O Cruzeiro". Fez
reportagens sobre o candomblé, impressionando-se com a cultura dos descendentes
africanos. Percebeu então que, de lado a lado, havia uma troca de influências entre
africanos e brasileiros. A partir desse momento, a conexão cultural entre a África e o
Brasil tornou-se o seu foco de interesse e marcou toda a sua obra.
Em 47, recebeu uma bolsa de estudos de Théodore Monod, diretor do Institut Français
d'Afrique Noire, para estudar durante um ano na École Française d'Afrique. No ano
seguinte, começou a escrever, tornando-se mais ocupado com suas pesquisas sobre a cultura
afro que com a fotografia.
Em 49, Verger descobriu na África documentos dos séculos 17 a 19 sobre o tráfico de
escravos entre o golfo da Guiné e a Bahia. Dedicou 17 anos de estudos a esse fato,
tornando-se etnólogo doutorado pela Sorbonne de Paris, em 66, sem nunca ter frequentado
aquela universidade. Sua tese deu origem ao livro FLUXO E REFLUXO DO TRÁFICO DE ESCRAVOS
ENTRE O GOLFO DE BENIN E A BAHIA DE TODOS OS SANTOS NOS SÉCULOS 17 A 19.
Verger tornou-se, ele próprio, um agente ativo do intercâmbio cultural entre a África e
a Bahia, levando e trazendo objetos, presentes e informações em suas muitas viagens. Em
suas pesquisas, conheceu reis das nações yorubás (onde hoje fica a Nigéria) e
envolveu-se com os rituais afros, tendo sido sagrado babalaô, adotando o nome FATUMBI- o renascido da graça de Ifé -, na África, em 52. Quando
faleceu, em 11 de fevereiro de 1996, aos 93 anos, vivia em Salvador, numa casa pintada de
vermelho, para lembrar que ele era filho de XANGÔ.
Verger produziu cerca de 65 mil negativos de fotos, além de filmes e gravações. Foi
autor, com outro "baiano-estrangeiro", o pintor Carybé, de LENDAS AFRICANAS DOS
ORIXÁS e da ICONOGRAFIA DOS DEUSES AFRICANOS NO CANDOMBLÉ DA BAHIA, em torno do tema dos
ORIXÁS.
Seu último livro foi "EWÉ" (Cia das Letras), sobre o uso medicinal e mágico
das ervas. Resultado de 40 anos de compilação de inúmeras receitas, muitas delas
ligadas aos rituais secretos dos yorubás, às quais teve acesso pelo seu envolvimento nos
cultos, a publicação de "EWÉ" era considerada uma missão pelo próprio
Verger.
Suas fotos e escritos são ferramentas importantes para o conhecimento da cultura mestiça
afro-brasileira. Suas imagens de festas populares, de candomblés, procissões, de
igrejas, praças e sobrados estão guardadas na FUNDAÇÃO PIERRE VERGER - um anexo à
casa onde ele morava -, e registraram para sempre a alma baiana num exaustivo trabalho de
documentação.
Fundação Pierre Verger :
E-Mail para fpverger@ufba.br
2a. travessa da ladeira de Vila América, 6
CEP : 40243-340 Vasco da Gama
Salvador-BA Brasil
Caixa Postal : 1201 CEP : 40001-970
Telefone: +55 71 2477453
(textos de diversas fontes, links abaixo)
Links para pesquisa:
Laboratório de Fotografia-Galeria-UFBA
PERSONALIDADE Pierre Verger - boletim da Aba
Pierre Verger - Fotos Unicamp
Pierre Verger - Geo
Pierre Verger por Iara Rolim - boletim da abA